Neste pequeno fragmento de vídeo, é possível perceber a Assistente Social do Demhab conversando sobre a preocupação com as crianças que estariam chegando com as famílias nas novas casas.
Isso demonstra que o remanejo está sendo executado sem planejamento, sem a preocupação com os contextos familiares de quem vai se deslocar.
Num determinado momento ela mesmo atesta: "Porque hoje essas crianças já estão perdendo o dia de aula(...), e as escolas da região não têm mais vagas".
AS ESCOLAS DA REGIÃO NÃO TÊM VAGAS PARA ATENDER À POPULAÇÃO QUE ESTÁ SENDO DESLOCADA.
Ninguém pensou nisso???
*a filmagem foi feita por um dos alunos do curso de Produção Audiovisual que a Catarse está ministrando no Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo, no Cristal (vem surpresa aí!)
**foi registrado, também, todo o despejo e o início da remoção das famílias, no dia seguinte, para o reassentamento. Os caminhões usados para carregar os móveis eram os mesmos da extinta coleta seletiva. Os carregadores eram da COOTRAVIPA, cooperativa que fazia o serviço de limpeza urbana para a prefeitura (irônico ou sarcástico isso?)
***segundos depois que a família saía de sua ex-casa, em uma das vilas no Cristal, já vinham pedreiros para imediatamente derrubarem a casa (também registrado em vídeo)
****quando da ação das mulheres da Via Campesina, um dos argumentos que foi levantado para justificar a "prisão" das mulheres era o de que as crianças participantes da marcha estavam faltando a aula, caracterizando o chamado "abandono intelectual". Pois bem, será que o "seu prefeito" será responsabilizado pelo "abandono intelectual" das crianças reassentadas e será encaminhado a uma delegacia???
Abaixo, seguem também dois relatos do dia do despejo:
Marcelo Cougo, do blog MOCOTÓ ELÉTRICO
Essa semana foi muito proveitosa para entender a lógica da exclusão em Porto Alegre. Começa com uma audiência pública para esclarecimento e deliberações no bairro Cristal. Audiência que deveria se prestar a responder as dúvidas das pessoas que estão sendo retiradas das cercanias do Barra Shopping, as que serão removidas pelo projeto Sócio-ambiental. Mas pouca coisa se resolve...
Segue a tragicomédia com a mobilização de mais de 400 PMs, fora os P2 infiltrados, na desocupação de um loteamento na Vila Nova. Esse loteamento é destinado às pessoas removidas das vilas Icaraí I e II, ao lado do Barra. Por atraso (incompetência e desrespeito) da prefeitura do Sr. FOGAÇA esse loteamento ficou à deriva durante uns meses, coincidentemente os meses pós eleições. Foi invadido pelos moradores da vizinhança. Na madrugada de terça, enquanto sobrevoava o bairro o helicóptero da BM, centenas de PMs se deslocavam para o fechamento das ruas e acessos. Um gueto onde ninguém entrava apenas saia na chuva insistente, móveis ao relento e choro livre e não ouvido. ônibus da Carris, pintados de branco, seus motoristas a postos. Caminhões de várias secretarias, um engajamento que não se vê normalmente por parte dos poderes públicos, a não ser quando se trata de repressão aos mais pobres. Que sirva de lição. A Prefeitura e o Sr. Fogaça só são lentos e incompetentes quando se trata do bem público.
Sergio Valentim, do Ponto de Cultura Quilombo do Sopapo
A brigada militar realizou uma operação de retirada de mais de 100 famílias do loteamento Campos do Cristal na Vila Nova. Foram deslocados mais de 300 policiais, que começaram a ocupar a vila às 3h da manhã, com o objetivo de acordar e amendrontar os moradores que seriam despejados poucas horas depois. Segundo relato
de moradores, a brigada militar usou um helicóptero que começou a passar em baixa altitude emitindo um som muito forte pra acordar as pessoas.
Às 6 da manhã começou o despejo. A brigada fechou as entradas da vila e não permitiu que ninguém saísse de casa, e muitos trabalhadores não puderam ir trabalhar e outros não puderam assessar suas casas.
Segundo depoimento de moradores, a brigada militar agrediu até senhoras de idade e ameaçou de agredir e atirar nos moradores e parentes que queriam ajudar os que estavam sendo despejados.
A brigada militar montou um QG numa estrutura ao lado de uma escola para propiciar a troca de guarda e a alimentação dos brigadianos, pois ficariam até o último morador sair...
Os moradores foram retirados com auxílio de caminhões descobertos da SMAM e do DEMHAB, e a chuva estragou muitos móveis de madeira que foram trasportados. Trabalhadores da COOTRAVIPA foram trazidos para limpar as casas que estavam sendo desocupadas... Nenhum deles sabia para onde iriam suas coisas e móveis. Segundo um
dos moradores, seria levado para o "depósito da prefeitura". Quem não tinha para onde ir, era encaminhado para um abrigo, mas com prazo de um mês pra arrumar outro lugar para morar.
No Ponto, Gustavo, acho que responsabilizar a prefeitura por perdas de dias de aulas das crianças é o caminho. Como fazer isso???
ResponderExcluirA turma dos Direitos Humanos poderiam ser mobilizados. É uma idéia, tem-se provas disso, não é?
Um abraço e parabéns pelo trabalho!