segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Nem sempre vence o melhor...

Futebol tem dessas coisas. Um time pode ter melhor elenco, estar melhor armado, dominando o jogo, trabalhando bem a bola, surgindo chances de gol, mas mesmo assim perder para o seu adversário.
Foi mais ou menos o que ocorreu no Grenal de domingo. Só a se reparar nessa primeira frase é que existe uma idéia no imaginário coletivo do futebol guasca de que o interzinho é um time megaultragaláctico, com folha de pagamento nas nuvens e por isso - sim, há essa construção de causa-e-conseqüência - superior a qualquer adversário da aldeia, quiçá do Brasil.
Mas o que se viu ontem não foi bem isso. É um time bom, sim, com bons jogadores, mas inferior ao Tricolor. Isso pode-se explicar talvez pelas exigências diferentes por que cada clube este ano vai passar em suas temporadas. Ficou claro, também, que Nilmar é fora de série e precisa ser marcado individualmente, retirando os espaços do seu campo de ação, precisa ser "empurrado" para os limites extremos do gramado, porque qualquer brecha ele mete a bola na frente e ninguém segura - e foi o que aconteceu ontem, não foi?
Outra coisa que precisa mudar um pouco é este conceito do futebol de que mudanças não podem ser efetuadas no primeiro tempo de jogo. Ano passado o jogo contra o Ipatinga no Olímpico necessitava de modificações claras logo aos primeiros minutos, mas não. Victor teve que fazer milagres e só assim saímos com a vitória. Desta feita, no Grenal, Roth deveria ter percebido que estávamos superiores no campo mesmo com 3 a menos, e mais uma peça na frente poderia ser fundamental para virar o jogo ainda no primeiro tempo - que saísse William Magrão e se deixasse a figura do "volantão" pra não liberar o meio assim tão facilmente. Quando se joga contra um time que nitidamente se comporta de maneira inferior é preciso ousar mais. E isso provavelmente teremos pela frente na Libertadores, então, há que se fazer a avaliação de se variar o esquema com a bola rolando, no início do jogo, de acordo com as circunstâncias que se apresentam na partida, e não de acordo com o que a imprensa diz, com os conceitos de melhor e pior dos programas de bate-papo futebolístico de meio dia das rádios.
Pra mim este é o único erro de Celso Roth até o momento nesta temporada de 2009. A confusão que ele anda fazendo com os esquemas e os momentos errados, na minha opinião, de suas variações estão nos trazendo alguns prejuízos. Ele passou 15 dias na pré-temporada treinando o 3-5-2 e o 4-4-2 pra passar, de uma hora pra outra, ao 3-6-1 em meio ao campeonato. 3-6-1 contra o São Paulo, no Morumbi, até vá lá, mas em jogos em que os adversários pintam mais frágeis, como contra o Novo Hamburgo, Veranópolis e os vermelhinhos nesse Grenal não tem cabimento. Por mais que o Souza se aproxime do Alex Mineiro, ele é jogador de meio, que conduz a bola e pega os defensores de frente, em maior número. Este é um panorama que um segundo atacante, mais enfiado, poderia estar modificando, já que ele poderia segurar a marcação na intermediária adversária, liberando um pouco do "tráfego" no meio e aumentando as possibilidades de passe de quem vem de trás.
Sei lá, isso tudo são só teorias. A prática tem mostrado que o futebol se desenvolve bem diferente nas quatro linhas...
Meu destaque de ontem fica pra Fábio Santos. Grande acréscimo de qualidade na ala esquerda. Pra quem tinha Hélder e Pico (= nada), contar com este jogador mais Jadílson agrada muito.
Seguimos, porque não é o fim do mundo.

Dá-le!!!
JAMAIS NOS MATARÃO!

20 comentários:

Anônimo disse...

(Jorge Nogueira)

1) "Futebol tem dessas coisas. Um time pode ter melhor elenco, estar melhor armado, dominando o jogo, trabalhando bem a bola, surgindo chances de gol, mas mesmo assim perder para o seu adversário."

R: Como assim? O Segundino acredita q está com melhor elenco do q o Campeão de Tudo? KKK

2)"É um time bom, sim, com bons jogadores, mas inferior ao Tricolor."

R: Bom se nos últimos 5 Grenais, o Segundino ñ conseguiu ganhar nenhum e mesmo assim o Campeão de Tudo é "inferior" então sai de perto qdo for superior. KKK

Por último duas colocações:
- a primeira é de q apesar do incompetenTITE (gremista roxo e técnico de time de Série B) fomos campeões da Sulamericana e ñ perdemos nenhum Grenal (ah se fosse o Abelão aquele Grenal do Brasileirão teria sido 8 como foi contra a filial);
- a segunda é q está sendo feita uma injustiça mto grande com o Roth: estão dizendo q ele ñ ganha Grenal... mas q bobagem!
No histórico 5 a 2 de 97 quem era o treinador do Campeão de Tudo?
Na final do Gauchão do mesmo ano, q o Campeão de Tudo ganhou de 1 a 0 com gol do Fabiano cachaça, quem era o treinador?
Conclusão: ñ é o burRoth q ñ ganha Grenal, mas é o Segundino q é freguês! KKK

Jorge Vieira disse...

É Guga teu blog foi tomado por um novo tipo de Maia, no caso o Klu Klus Kan Colorado. Vai ser difícil os gremistas discutirem alguma coisa aqui com essa naba a espreita.

Rodrigo Cardia disse...

Lá no Cão, eu decidi usar realmente a moderação de comentários. Até pouco tempo atrás, eu no máximo deletava spam e comentários fascistas ao extremo (uma vez um cara deixou um comentário exaltando o nazismo, e obviamente não deixei ser publicado).
Enchi o saco de ficar respondendo pra fascista e colorado pifado. Pois acontece exatamente o que o Jorge Vieira falou: fica difícil discutir assunto sério, com alguém enchendo a caixa de comentários de besteira. E o pior de tudo é que, como disse certa vez o Jorge Vieira, "blogueiro com inimigo na trincheira sofre": o meu irmão, que é colorado pifado, também tem mania de escrever besteira. Mas não vou dar nenhum privilégio a ele só por ser da família, sou contra o nepotismo, hehe...
Isso é "anti-democrático"? Sinceramente, acho que não. Pois a internet é democrática, os fascistas e os colorados pifados podem comentar em blogs fascistas e/ou colorados, ao invés de falarem besteiras em blogs de esquerda e/ou gremistas. Ou mesmo podem criar seus blogs.
Deixo essa sugestão ao Guga e à Têmis: podem ter certeza de que isso vai é melhorar (ainda mais) o blog.

Abraços!

Pingos nos Issss disse...

Ora, ora, vamos botar os pingos nos "is".
O Grêmio tem elenco melhor??? Mas onde??? É só comparar os jogadores. O Grêmio só contratou sobras pela singela razão de que não tem grana.
O Grêmio realmente dominou o primeiro tempo porque jogou com 6 no meio, ao passo que o Inter jogou com uns 3, no máximo. Mas não soube usar essa vantagem, porque não tinha (e não tem) um ataque. Quando o Tite botou mais um no meio, acabou o domínio gremista.
Quanto à arbitragem, quem errou contra o Grêmio foi o bandeira, num lance dificílimo, que só se pode ver parando o filme, na foto parada. Um erro desculpável e corriqueiro no futebol e do qual o Grêmio já foi favorecido inúmeras vezes. Lembram do São Paulo no ano passado ou já esqueceram???
Já o Simon jogou a favor do Grêmio: não expulsou o Rever (um absurdo), deixou o Diogo bater a vontade (fez 4 faltas de amarelo e levou só 1 cartão), deixou baterem à vontade no D'Alessandro (levou até um chute na boca do Souza), não expulsou o Anderson (o da voadora sem bolta), deixou o Grêmio usar o anti-jogo durante todo o primeiro tempo, em que TODAS as jogadas do Inter eram matadas com faltas, em vez de marcação correta. Um absurdo completo e o Simon não fez nada, deixou o anti-jogo rolar e não amarelou ninguém. O time prejudicado pelo Simon foi o Inter, não o Grêmio.
Quanto a sites de esquerda, direita, gremistas ou colorados, saibam que se tem um time de direita no RS é o Grêmio, tese aliás defendida pelo Juremir. Porque é o time da "zelite", dizem que são superiores e se consideram a elite, são racistas, referem à gloriosa torcida do Inter com termos racistas (macacos), foi fundado por alemães racistas, quase proto-nazistas, querem ganhar os jogos na marra, na porrada, e não jogando futebol, e por aí vai. Direita pura....
Já o Inter é o clube do povo, se reconhece como tal, gosta de jogar um futebol bonito, sem porrada. Esse é um time de esquerda, um time popular.

Jorge Vieira disse...

Então vamos para alguns pingos ...

Vou dar alguns pequenos exemplos de conselheiros colorados de extrema esquerda (dizer de esquerda é pouca coisa, frauda a realidade factual): Jair Soares, ex-governador do RS pela Arena; Onix Lorenzon do Dem ex-pfl, fina flor do progresso brasileiro; José Alenxadre Zachia, PMDB, ex-secretario da Tia, caiu por uns probleminhas no patrimônio pessoal (casa na praia, etc.).

Quantos afros-descentes estão no Conselho do Colorado? Vou responder: nenhum.

Quantos moradores da restinga são conselheiros do Colorado? Vou responder: nenhum. Para ser conselheiro do Colorado é preciso ser bem branquinho e ter uma boa boa posição social, quer dizer, grana.

Quanto ao clube do povo é só dar uma olhada nas imagens da tv, quando foca o estádio, só, vou repetir só, tem gente bem branquinha, ir ao estádio custa muita grana. Não deve ser esquecido que o Colorado, o ex-clube do povo, acabou com a coreia, onde o povo da Restinga comparecia, agora torcem do lado de fora. O Mano Change (deputado estadual do esquerdista PP, partido do Detran) em reunião do conselho sugeriu, abrir os portões nos últimos cinco minutos, foi vaiado pelos representantes do povo.

Qual a diferença social dos dirigentes do Imortal e do Colorado, incluindo os conselheiros? Nenhuma, ambos estudaram nas mesmas escolas (Anchieta, Farroupilha, direito da UFRGS/PUC,engenharia, etc.) freguentam os mesmos espaços sociais (calçada da fama, sócios do Juvenil/União/Sogipa, compram no Iguatemi) e no verão vão para Punta relxar que ninguém é de
ferro.

Para terminar: Quantos conselheiros afros-descentes o Imortal tem? Um o ex-governador Alceu de Deus Collares. Merece ser ressaltado a participação no conselho do Imoral de um militante da direita guasca, e dos mais extremados: o senhor David Stival ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, agremiação política defensora dos poderosos e abastados.

E vamos tocando a vida.

Rodrigo Cardia disse...

Jorge, lembrei outros exemplos, como o anarquista Rogério Mendelski (colorado) e o ultraconservador João Pedro Stédile (gremista).
E por falar em racismo, o "clube do povo" foi, nos seus 20 primeiros anos, tão racista quanto era o Grêmio. Com a diferença que o Grêmio, por ser um clube de alemães, levava mais em conta o sobrenome na hora de admitir sócios (a preferência obviamente era por pessoas de origem alemã); já para o Inter o que importava mesmo era a cor da pele.

saci perneta disse...

tá bom, tá bom, agora desliga o play station, pq. só no videogame o timeco da beira-cemitério pode ser melhor que o campeão de tudo, uauauauauauaua.

RICARDO ® disse...

Eiaaaaaa...
Um post sobre futebol virou discussão sobre esquerda e direita...

Concordo com tudo que tu escreveu Guga, e mais... o Jonas fez um golaço anulado injustamente... realmente...
Somos um time de direita extrema sim, pois o Jonas fez os dois gols com a perna direita que eu vi!!!! hehehehehehe

Abraço!

Pingos nos Isss disse...

Já que vamos discutir nomes, lembremos dos GREMISTAS Fogaça e Yeda Cruzcresius, nótorios esquerdistas (kkkkkkk), e dos companheiros COLORADOS Olívio, Tarso e Paulo Paim.
A questão não são os nomes, já que ninguém escolhe o seu time antes de se decidir politicamente, mas ao contrário, primeiro o time, depois a política.
Eu me referi à postura do Grêmio em geral, a fundação (confessaram que o Grêmio é o time dos "alemão", já o Inter é o time de fundadores italianos e portugueses, rechaçados pelos "alemão" do clube fechado), o racismo escrachado por mais de 50 anos (até a década de 50), ao contrário do Inter, que menos de 20 anos (na década de 20)após a sua fundação já admitia negros no time), a postura eternamente arrogante da sua diretoria e da sua torcida, os cânticos racistas da torcida (nunca se ouviu um cântico racista da torcida colorada) ao se referirem à torcida do Inter (isso é fato), a postura arrogante e elitista de quem se acha melhor do que os "macacos" inferiores da torcida vermelha, a sua forma de jogar e querer ganhar na marra, com violência, sem futebol ou com anti-futebol.
Só falta a saudação nazista que a torcida do Lazio usa...
Quanto à torcida do Inter ter uma maioria de brancos (assim como a do Grêmio), isso é uma obviedade, já que o RGS tem apenas 12% de população afro-descendente. Não poderia ser diferente.
Quanto a poucos negros nas arquibancadas do Inter, veja que a maioria da torcida do Inter é de brancos. O mesmo ocorre com a torcida do Grêmio.
Quanto à exclusão social que ocorre nas arquibancadas de todos os times do Brasil, isso não é culpa de nenhum time, mas da própria sociedade brasileira.
Mas observo que a mensalidade do Inter é menor do que a do Grêmio, o que facilita a associação da torcida colorada. Já o time da "elite" cobra mais caro, talvez porque queira selecionar torcedores de maior poder aquisitivo, não é mesmo....
E repito: a cor da ESQUERDA é o VERMELHO!!!

Jorge Vieira disse...

O vermelho, como o amarelo ou o verde, é só um cor. O azul também é só uma cor, e nada mais.

André disse...

REPORTAGEM


Racismo Multicor



Autores divergem sobre o surgimento do Internacional como resposta a um suposto racismo gremista. O jornalista Cláudio Dienstmann, estudioso do futebol mundial, possui 300 fotos do primeiro campeonato gaúcho vencido pelo Inter, em 1927. Analisando as imagens, um detalhe chama a atenção do pesquisador: 18 anos após sua fundação, não havia negros no time. Na ata de fundação do Inter, o texto afirmaria que o clube seria aberto a todos, independente de raça, religião, classe política, econômica e social. Porém, a ata desapareceu. Dienstmann chegou a procurar familiares dos fundadores e não obteve respostas desse documento. “Nunca se soube se foi realmente extraviado ou se deram um sumiço no livro para justificar a não contratação de negros e pobres pelo clube”, supõe. O primeiro negro a vestir a camisa colorada foi Dirceu Alves, em 1928. Ele era atacante da Liga da Canela Preta, coordenada pela Prefeitura de Porto Alegre. Segundo Dienstmann, com a contratação de Alves, metade do quadro social do Inter foi embora. O argumento era que Alves estava recebendo da Prefeitura para jogar, mas o jornalista acredita que o motivo foi o fato de ele ser negro. “Ele era humilde e necessitava realmente de ajuda. O que ele recebeu, na verdade, foi uma fatiota”, salienta. Em seus dois livros Até a pé nós iremos e Meu coração vermelho, que contam a historia da dupla Gre-Nal, Ruy Carlos Ostermann afirma que o Grêmio seria um time de burgueses e brancos que não admitia jogadores negros e pobres. O Inter teria nascido para dar aos discriminados a oportunidade de jogar em um clube de futebol. Ostermann diz que o Grêmio de Foot-Ball Porto-Alegrense, fundado em 15 de setembro de 1903, por comerciantes filhos de imigrantes alemães e açorianos, submetia os candidatos a sócios a uma investigação, uma seleção elitista e racista. Os negros e os pobres teriam esperado seis anos pela inclusão ocorrida com a fundação do Sport Club Internacional, em 4 de abril de 1909. “O Inter surgiu como um contraponto dos excluídos”, diz o sociólogo Antônio Mesquita Galvão, professor da Unisinos, com mais de 90 livros publicados. O Inter foi fundado pelos irmãos Poppe, paulistas que vieram morar na capital gaúcha. A maioria dos integrantes era de jovens universitários, filhos de fazendeiros, que iam morar na capital para estudar. O time chegou a ser apelidado de “Clube dos Acadêmicos do Internacional”. Dienstmann considera que, na época, deixar o interior e ir para a capital cursar o nível superior não era privilégio de qualquer um. Para ele, o clube aristocrático não era o Grêmio, mas o Inter. O futebol surgiu como esporte de elite, pois os fardamentos e acessórios utilizados pelos jogadores eram importados. Os negros, recém-libertos, não possuíam bens e propriedades, não tinham estudos e recebiam um salário pequeno. Que condições teriam de adquirir estes adereços e formar um time de futebol? “O problema maior era o econômico e não o racial”, afirma Dienstmann. O pesquisador diz que o racismo não era uma questão exclusivamente ligada ao Grêmio e ao Inter, mas do futebol em si. Mais do que isso, é uma questão cultural, social e mundial. Vale lembrar que a lei Áurea completava apenas 15 anos quando o Grêmio foi fundado. Ora, depois de longos anos de escravidão não seria de repente que os brancos admitiriam a igualdade das raças, se até hoje, 118 anos após a abolição, o preconceito e a discriminação ainda existem fortemente. Se por racismo ou questões econômicas, o fato é que o Grêmio não admitiu sócios ou jogadores negros até 1952, véspera do seu cinqüentenário. Foi Saturnino Vanzelotti, então presidente, que decidiu quebrar a traição e contratou Tesourinha, ex-jogador do Inter, mesmo contra um grande movimento de oposição dentro do clube. Uma das manifestações foi dos jornalistas Adil Borges Fortes e Amilton Chaves, que criaram o grupo “Gremistas Vigilantes”. Argumentaram que Vanzelotti não teria consultado o Conselho Deliberativo do clube para efetuar a contratação. “O Tesourinha era uma bandeira como negro e colorado, e era preciso acabar com o fato do racismo no Grêmio com uma grande estrela do futebol”, relata José Luiz Barreto, torcedor colorado e negro. “O negro só podia evoluir através do esporte, vinha de uma camada mais inferior, das periferias, das vilas, não tinha muita credencial para fazer um curso superior. Uma série de fatos sociais o impedia de evoluir”, lembra. O aposentado Carlos Alberto Loretto, 70 anos, recorda que tinha um primo que jogava no Grêmio e, um dia, levou o pai para assistir um jogo no Estádio da Baixada. “Como o pai era negro, não o deixaram entrar. Ele não deixou de ser gremista, mas nunca mais foi a um jogo”, ressaltou. Loretto diz que já foi chamado de pobre por ser negro e colorado, mas garante que isso nunca o incomodou. A questão racial também foi enfrentada com bom humor pelo ex-jogador Vicente Rao, criador da primeira torcida organizada do Inter, a Camisa 12, que era vibrante, cheia de bandeiras, foguetes, serpentinas e sirenes. Um verdadeiro carnaval feito pelo povão. A torcida gremista dizia que aquilo era “coisa de crioulo”. Mas a moda pegou tanto que em pouco tempo os tricolores começaram a utilizar os mesmo acessórios. Rao não perdeu a oportunidade, e em um Gre-Nal na Timbaúva, esperou os gremistas começarem a festa e ergueu uma faixa com a frase: “Imitando crioulo, hein!”. Foi Rao também quem criou a expressão “Rolo Compressor”, na década de 1940, quando o Internacional atravessava sua melhor fase. Contradições também marcam a história dos dois riais, Ironicamente, o time gremista teve seu hino composto por um negro, Lupicínio Rodrigues, em 1953. Já o Inter, conforme Dienstmann, protagonizou pelo menos dois episódios de racismo. O primeiro em 1935, na decisão do campeonato de Porto Alegre. O time precisava de um empate. Aos 42 minutos do segundo tempo o jogo estava em 0 a 0. Nos três últimos minutos o Grêmio fez dois gols e tornou-se campeão. O centroavante Cardeal, único negro do time, foi culpado ela derrota. “Que culpa pode ter um centroavante de um time de tomar dois gols nos últimos três minutos? Não o mandaram embora porque era culpado, mas porque era negro. O certo era tirar o goleiro”, salienta o jornalista. Outro exemplo ocorreu em 1980, no jogo contra o Esportivo, em Bento Gonçalves. O árbitro Luiz Louruz, Nero, teria cometido um engano prejudicando o Inter. Os jogadores colorados, inconformados, o chamaram publicamente de “macaco”. O fato foi notícia em todos os jornais e o Inter, processado judicialmente. “A discriminação racial sempre existiu, decresceu um pouco em virtude de as pessoas naturalmente crescerem e evoluírem em seus pontos de vista. Hoje acontece ainda, mas em menor escala. No interior do Estado onde há muitas etnias o problema racial é mais acentuado”. A socióloga Carmem Galvão acredita que o Gre-Nal, antes de ser uma disputa sócio-desportiva, sempre foi uma “luta de classes”. De qualquer forma é a rivalidade e a paixão azul e vermelha que consegue movimentar um estado inteiro e reunir pobres, ricos, negros e brancos no maior espetáculo do futebol gaúcho: o clássico Gre-Nal. Liga da Canela Preta A Liga da Canela Preta era composta de vários times divididos hierarquicamente. Havia o time dos lixeiros, dos entregadores de gás, dos garçons, dos coletores de impostos, de todos os departamentos da prefeitura. Os jogadores não eram assalariados, recebiam bonificações e melhores colocações no trabalho, uma espécie de promoção. Ostermann afirma em seus livros que a Liga da Canela Preta era composta somente de negros e excluídos. Dienstmann contraria essa versão. Segundo ele, nem todos os jogadores eram negros, mas sim de classe econômica e social inferior. Eram excluídos por serem menos favorecidos, não por serem negros. Carla wendt Jaqueline vargas Tatiana Vasco ______________________________________________________ Reportagem feita para a Revista Primeira Impressão da Agência Experimental de Comunicação (AgexCom), da Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos. São Leopoldo/RS. Publicada na 25ª edição em julho de 2006.

Postado por Jornalista Tatiana Vasco OnLine às 17:37 2 comentários

Anônimo disse...
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Anônimo disse...
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Anônimo disse...

(Jorge Nogueira)

Pela postura "progressista" do Guga de apagar meus comentários onde ñ utilizei nem da ofensa pessoal e mto menos palavras de baixo calão, parece q o gremismo é mesmo um movimento de direita.

Guga Türck disse...

Tu fez duas piadinhas infâmes, espertinho.
Não distorce!

André disse...

O Brizola era gremista, nada mais de direita que o Leonel né, o Stédile é um gremista fanático, também direitista, o Jorge Bornhausen é colorado, esse é tri de esquerda mesmo...
Esses exemplos, apenas demonstram que o que o Jorge Nogueira diz, sobre gremistas direitistas e colorados esquerdistas é uma das maiores bobagens que já li, nunca vi ninguém escolher time por ideologia política, tanto o Grêmio quanto o Inter, nasceram elitizados, isto é fato. E outra, o clube do povo do RS é o Grêmio né, quem tem mais torcida, é mais povão. Não tem como negar, em qualquer pesquisa feita, a torcida gremista é maioria, eu sei que é difícil para os vermelhinhos aceitarem, pois nasceram forjados numa mentira de que tinham a maior torcida, em algum momento da história pode até ser, mas faz no mínimo 25 anos que isso é estória.
Saudações tricolores

gremiodecoracao disse...

é meu amigo. Teremos que melhorar, se nao vamos seguir os MESMO passos do ano passado.


beijos

Jorge Vieira disse...

A crise da torcida, que se afirma como de esquerda, é exatamente produto da perda da condição de "clube do povo".

O Grêmio logrou, desde os anos 80, empilhar títulos, e capilarizou uma imensa torcida, não só no RS, mas no Brasil, enquanto eles lentamente foram perdendo essa condição, isso de uma parte. De outra, o futebol se elitizou, ficou caro, as torcidas ficaram bem branquinhas, ou seja, bem nascidas socialmente.

A par com esse processo, o Grêmio em função das suas dores e lágrimas, conquistou uma identidade, que preenche o nosso imaginário, de Alma Castelhana, nunca desisti luta, sofre, morde, e ressurge como IMORTAL TRICOLOR.

Enquanto isso eles estão a procura de uma nova marca (clube do povo acabou) e, no máximo até agora, produziram o tal de "campeão de tudo", ou seja, grossa bobagem, nem o Santos da era Pelé teve essa arrogância. Nenhum clube é campeão de tudo, se for, sinal de que acabou.

Anônimo disse...

(Jorge Nogueira)

Primeiro esclareço de q os comentários anteriores sobre este time ser de direita e o outro de esquerda ñ foram de minha autoria. Apenas o último em q protesto pela censura do Guga é de minha autoria e daí pego gancho nessa linha mais como forma de protesto pela atitude dele.

Aliás reafirmo meu protesto:

Primeiro pq o assunto é apenas futebol e as piadas q fiz ñ podem ser consideradas infâmes tendo em vista q iam na linha da Série B e pelo o q se sabe vcs celebram todo o ano a "Batalha dos Aflitos". Daí qdo alguém se refere a isso vcs ficam ofendidos? É por isso q sugeri o estudo neurológico do gremismo.

Segundo pq essa atitude ñ difere em nada da mídia privada q fica a apresentar os fatos na sua ótica e censura mtas vezes outras opiniões. Para q nós q nos pretendemos progressistas vamos criar outras mídias e repetir com os próprios companheiros a atitude daqueles q criticamos? Ainda mais qdo é apenas futebol e dentro dele as brincadeiras são sadias, ou pelo menos deveriam ser?

Para finalizar essa vai para o meu xará: temos identidade própria sim, ñ precisamos exportar alma de ninguém, nossa alma é colorada e brasileira! Diziam q teríamos q exportar alma "castelhana" para ser campeão da América! Ñ precisamos disso! Ganhamos com alma colorada, brasileira e o futebol brasileiro é Penta enqto os argentinos são apenas bi, só mesmo vcs para achar os argentinos o máximo!

O "Campeão de Tudo" é exaltado até pela Conmebol e a imprensa do centro do país, e os paulistas ñ teriam o pq de serem arrogantes com um clube q ñ é do Estado deles ñ achas?
Respeitamos nossos adversários ao contrário de uns aí q dizem q o time tal é um "fulano com grife" e outras baboseiras. Fica tranquilo q em matéria de arrogância "Nada pode ser maior" do q o time da Azenha!

Por fim com relação ao tamanho de torcida acho meio complicado medir isso, mas como dizem q há pesquisas a respeito disso, tudo bem: eu prefiro ser a segunda torcida do q a torcida de segunda. KKK

heliopaz disse...

Amigos,

Proponho um excelente e agilíssimo forum de discussão no qual cada um poderá deixar o seu recado:

http://heliopaz.wordpress.com/2009/02/11/gremio-debate-em-video-no-seesmic/

[]'s,
Hélio