terça-feira, 4 de março de 2008

Indo a Cuba - primeira parada: São Paulo

Avenida PaulistaAntes de chegar à ilha de Fidel e de todos os cubanos, passamos 4 dias em São Paulo.
Foi um período que consideramos, sim, parte integrante de nossa viagem.
São Paulo é a cidade mais cosmopolita da América do Sul - e porque não dizer da América Latina.
Talvez apenas comparável a Buenos Aires e Cidade do México nesta região.
Caminhamos muito por bairros parecidos aos que freqüentamos em Porto Alegre - claro, guardadas as devidas proporções...
De Moema, fomos à Liberdade, Sé, Paulista, passando pelo Jardins, Ibirapuera e vários outros locais.
Tomamos um belo chopp no Mercado Público e andamos bastante de metrô - aliás, sensacional!
Alguns mitos caíram nessa visita.
Um deles é o de que seria uma cidade violenta - e não há a menor comparação com Porto Alegre.
Nesses locais em que andamos, viaturas patrulham ruas, há policiais nas esquinas e não se vê aquela galera "caçando", responsável pelas nossas mudanças de rumo dentro dos caminhos da cidade.
Bairros como o Petrópolis, Santana, Azenha, Medianeira, Bom Fim, Cidade Baixa e Centro estão completamente abandonados à sorte dos moradores.
O 190 daqui não funciona, ninguém atende.
Nesse último final de semana, invadiram o prédio onde se encontra a Catarse.
Limparam na maior tranqüilidade uma sala ao lado da nossa.
A dona do prédio, que mora no local, estava desesperada, trancafiada em casa e assistindo a tudo pelas câmeras de vigilância.
As ligações para o atendimento da Brigada Militar foram muitas, mas nenhuma atendida.
Sorte que seu genro "achou" uma viatura passante na Protásio, os atacou e conseguiram pegar 2 na porta do prédio.
Os outros dois, na combi, com as coisas todas da advogada roubada, se mandaram...
Tá certo que o tempo em que andamos por lá é uma amostra muito pequena perto do que passamos por aqui, mas a observância da polícia nas ruas é real.
E o interessante é que são governos da mesma característica - de mesmo partido até -, de retrocesso social e atitudes paliativistas...
Bom, mas lá vai mais um mito a se derrubar: São Paulo é uma cidade cara.
Gasta-se muito dinheiro se a pessoa quiser - mas, daí, até em Caxias do Sul a grana vai pelo ralo!
Pelo contrário, em razão da imensa oferta de estabelecimentos dos mais variados tipos, se encontram várias coisas a preços muito mais acessíveis do que por aqui.
Talvez pela boa e velha lei da livre concorrência, ou da grande dificuldade de se combinar preços com tanta gente...
Com relação a restaurantes, estivemos em um restaurante chinês (dos váááários que têm por lá) e gastamos 1/3 do que gastaríamos em um (2 ou 3?) semelhante por aqui!
Mas São Paulo também tem problemas que se equiparam ao seu tamanho.
O trânsito é infernal, impossível.
Típico de um crescimento desenfreado sem planejamento - parecido com o que vem ocorrendo na capital dos gaúchos.
Estivemos por lá bem em meio a uma grande "briga" entre motoboys e carros - o que ocasionou a reserva de uma faixa esclusiva em uma das principais avenidas para motoqueiros e congestionamentos de mais de 100km!
Resultado?! Maluco Kassab cortou essa no dia seguinte...
Sem falar que é uma cidade que fede.
A impressão é que se está constantemente em um ambiente como o da Salgado Filho, não importando a localização - seja na Paulista, Ipiranga ou Parque Ibirapuera, o cheiro de ovo podre ou o do monóxido de carbono vão te pegar!
E chove... Como chove!
Não é à toa que seu apelido mais famoso é o de Terra da Garoa.
Mas apesar de tudo São Paulo é agradável.
Subiu muito no meu conceito.
Conhecíamos, até então, apenas a São Paulo das marginais, dos alagamentos, de Congonhas, da televisão.
Isso tudo apenas acentuou en nosotros a importância da experiência em loco.
Nos aprontávamos, assim, para a próxima parada: Havana!
5 horas de espera no aeroporto de Guarulhos e mais 7 horas de vôo foram o suficiente para afinarmos o que havíamos presenciado em uma cidade exclusivamente de cunho capitalista para nos prepararmos àquilo que iríamos presenciar a partir das próximas horas em Cuba.
Hasta luego, San Pablo!

Parque Ibirapuera* Fotos: Têmis. A primeira é a Avenida Paulista e a última é o Parque Ibirapuera no final de tarde.

Um comentário:

Rodrigo Cardia disse...

A diferença entre São Paulo e Rio Grande do Sul é que lá há grana para a segurança pública, enquanto aqui o (des)governo Yeda só chora, e não repassa verbas para segurança, educação etc. E aí dá no que vemos: polícia sucateada e com baixo efetivo, escolas fechadas...
E o que dá mais nojo é que a mídia não dá mais o mesmo destaque à "insegurança pública" que era dado durante o governo Olívio, quando qualquer peidinho era motivo para matérias de capa e editoriais batendo no Bisol.

Quanto a São Paulo: outro mito que se construiu é de que os paulistanos eram "nariz empinado". Nunca fui a São Paulo (e quero muito conhecer, assim que possível), mas um amigo que esteve lá disse que é bem o contrário disso: quando percebiam que ele não era de lá e estava meio perdido, as pessoas se ofereciam para ajudar ele a encontrar o lugar que procurava, eram muito legais e prestativas.

Abração